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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sono VS Horário

Morre no Rio o comentarista esportivo Luiz Mendes


O comentarista esportivo Luiz Mendes morreu na manhã desta quinta-feira (27), aos 87 anos, após complicações decorrentes de uma leucemia linfocítica crônica, como informou a assessoria do Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde estava internado desde o  dia 18 de outubro, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).
O radialista narrou fatos marcantes da história do futebol brasileiro, como a final da Copa de 1950, no Rio, quando o Brasil perdeu a final para o Uruguai, no episódio que ficou conhecido por "Maracanazo", e a Copa do Mundo de 1958, a primeira das cinco conquistadas pela seleção brasileira, na Suécia.
A Rádio Globo prestou uma homenagem ao radialista, com uma seleção de áudios de Luiz Mendes, que pode ser ouvida na internet. O site da rádio ressaltou ainda que, em mais de 70 anos de profissão, Luiz Mendes foi o único brasileiro a narrar a final de Copa do Mundo de 1954, na Suíça.
Vida dedicada ao jornalismo esportivo
No livro "Minha gente - Luiz Mendes, o mestre da crônica esportiva do Brasil" (editora 7 Letras), a jornalista Ana Maria Pires narra a trajetória do radialista em 70 anos de carreira, desde o início como locutor de um serviço de auto-falante na cidade de Ijuí (RS), passando pela contratação pela Rádio Globo do Rio, no final de 1944, o casamento com a atriz Daisy Lúcidi, uma estrela das radionovelas nos anos 50, e suas experiências de cobertura 'in loco" de 13 copas do mundo de futebol.
Em depoimento no livro, Mendes descreve sua narração no famoso gol do Uruguai. "Eu próprio fiquei tão perplexo na hora do gol, que dei nove inflexões diferentes ao gol. Eu fui narrando normalmente, “Gol do Uruguai!”. Depois, Gol do Uruguai? Gol do Uruguai, senhores! Gol do Uruguai... Gol do Uruguai... E fui assim, trocando de inflexão, até chegar à nona. Acho que fiz aquilo para despertar a mim mesmo e começar a falar como havia sido o gol, o que tinha acontecido e o que poderia acontecer, pois faltavam poucos minutos para o final da partida. Naquele momento, senti que a Copa do Mundo estava indo embora como água que corre pelos vãos dos dedos, algo que não se consegue segurar. O sentimento era cristalino. (...) Foi uma coisa terrível", diz o radialista em trecho do livro.
Na obra, Mendes descreve também sua maior alegria com o futebol. "A cobertura da conquista da primeira Copa do Mundo pela seleção brasileira, em 1958, na Suécia, foi a emoção mais forte que vivi em minha vida profissional. Tanto que meus olhos se encheram de lágrimas tão logo gritei “Brasil, Campeão do Mundo de 1958.” Como dizem por aí, a primeira vez a gente nunca esquece!"
Além da Rádio Globo, Luiz Mendes trabalhou também na Rádio Farroupilha,TV Rio, TV Globo, Rádio Continental, TV Educativa e TV Tupi e escreveu quatro livros sobre futebol: "As Táticas do Futebol Brasileiro - Da Pelada à Pelé (1963), "As Táticas do Futebol (Antigas e Atuais) (1979),  "Futebol Regras e Táticas (1979) e "Sete (7) Mil Horas de Futebol" (1999).

MPF-CE entra com ação na Justiça para anular questões ou todo o Enem


O Ministério Público Federal do Ceará (MPF-CE)  entrou na tarde desta quinta-feira (27) com uma ação civil pública que pede a anulação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em todo o Brasil, ou então solicitando a anulação de 14 questões iguais às do exame divulgadas em material do colégio Christus, de Fortaleza, dias antes da prova realizada no último fim de semana. Na ação, o procurador federal no Ceará, Oscar Costa Filho, pediu ainda a suspensão da medida do Ministério da Educação (MEC) que anula o Enem para 639 alunos do colégio Christus. A ação civil pública foi protocolada no fim desta tarde na Justiça Federal no Ceará.
Para Oscar Costa Filho, “querem resolver de forma local um problema nacional”. “Essa decisão [de anular as provas dos estudantes do Chritus] não podia ser pior. É uma decisão que reconhece a quebra de isonomia e aumenta ainda mais a gravidade da isonomia”, avalia o procurador.
Segundo Oscar Costa Filho, o “vício” está na prova do Enem, e não nos alunos da escola de Fortaleza. “Há alunos da escola que não tiveram acesso ao material. E também alunos de outras escolas que compartilharam das questões iguais às do Enem.”
Ainda conforme o procurador, o diretor da escola Christus teria informado que alunos de cursinho da escola também tiveram acesso ao material com as questões do Enem. Costa Filho diz também que a escola não tem controle de quantos e quais alunos dos cursinhos fizeram uso das cartilhas com questões semelhantes às do Exame Nacional do Ensino Médio.
Investigações
O MEC confirmou nesta quinta-feira (27) que as questões do Enem que vazaram estavam no pré-teste aplicado no Colégio Christus, em Fortaleza, em outubro de 2010. A escola participou das avaliações. Para o pré-teste, os colégios são isolados e não pode haver vazamento dos dados na prova. Após a execução do pré-teste, os documentos são avaliados e em seguida incinerados.
De acordo com nota publicada no site do MEC, a conclusão foi de que as questões de matemática e ciências da natureza e ciências humanas e linguagens de dois dos 32 cadernos de questões do pré-testes foram copiadas, das quais 14 constavam da prova do Enem 2011.
Ainda, de acordo com o texto, todos os cadernos foram devolvidos, devidamente conferidos, e depois incinerados. Não houve, portanto, extravio do material.
Para especialista, Enem deveria ser cancelado
A condição de igualdade entre todos os candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será ferida se somente os alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, fizerem a prova novamente. A constatação é do professor e doutor em direito administrativo, Alexandre Mazza. Para o especialista, o exame tem de ser anulado em todo o país. “Se o Enem vai criar uma base classificatória única, a prova tem de ser a mesma para todos. Com certeza uma vai ser mais fácil que a outra. Não há como fazer um resultado só com provas diferentes. É inaceitável”, afirma o advogado.
A justificativa do Ministério da Educação de que a teoria de resposta ao item (TRI) garante provas com o mesmo grau de dificuldade não tem embasamento jurídico, de acordo com Mazza. “Os alunos têm de fazer a mesma prova, não provas diferentes com o mesmo grau de dificuldade.”
Para o exame ser anulado em todo o país há dois caminhos. Por meio de uma decisão do MEC, que descartou a possibilidade, ou por uma decisão judicial. Neste último caso, só seria possível se houvesse uma provocação do Ministério Público ou de algum candidato que tenha se sentido prejudicado e o juiz decidisse pelo cancelamento. “Mas como é uma decisão de grande repercussão que envolve uma logística muito grande, só um juiz muito corajoso a tomaria", afirma Mazza.
O advogado lembra que caso a prova seja reaplicada somentes aos alunos do Christus, no Ceará, a situação abrirá brechas legais para que outros alunos ingressem com ações. Segundo ele, se um estudante que fez as provas nos dias 22 e 23 de outubro tiver pontuação inferior a um aluno do Chrstus que ganhou o direito de refazer o exame, por exemplo, poderá reclamar na Justiça. O direito também vale para um aluno do Christus que, por acaso, tenha tido desempenho melhor na primeira edição do Enem do que na segunda.

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